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Empresas de Moldes disputam técnicos qualificados

Criada em: 2 novembro de, 2015
Expansão A atravessar um bom momento, com um acréscimo de encomendas, a indústria de moldes confronta-se com a escassez de técnicos qualificados, situação que agrava a disputa entre empresas
 
 

 

Empresas de moldes disputam técnicos qualificados 

“O problema dos moldes é a falta de recursos humanos. É o nos- so calcanhar de Aquiles. Neste sector o desemprego é zero”, disse Duarte Champalimaud em entrevista recente ao JORNAL DE LEIRIA. O CEO da GLN, na Maceira, adiantava que no grupo “há sempre quatro ou cinco colocações abertas, mas não tem sido fácil contratar”, dificuldade que não se restringe às áreas técnicas. “O sector está a viver uma boa fase, todas as empresas querem crescer, mas os talentos são escassos. E há empresas que estão a dar um tiro no pé, porque estão a inflacionar o mercado, o que levará a que haja pão para hoje e fome para amanhã. Estão dispostas a pagar qualquer preço para ir buscar pessoas a outras empresas. Já nos roubaram talentos, mas não quero entrar nessa guerra”.

Do mesmo se queixa António Pereira. O responsável pela Rectimol- de conta que em breve vai sair da empresa o segundo trabalhador, este ano, “aliciado” por outra empresa. Embora garanta que na sua unidade as condições “são boas”, e até consiga, em alguns casos, acompanhar os valores monetários oferecidos por outras empresas, o empresário afirma que isto acaba por criar problemas internos, na medida em que aumentar o salário a um trabalhador, para o reter, implicaria ajustar o vencimento de todos os outros colaboradores.

“Cada vez mais vai acontecer umas empresas irem buscar pessoas às outras, porque há muito trabalho. Mas estão a inflacionar o mercado”, lamenta António Pereira, para quem este problema se deve ao facto de muitas empresas não apostarem na formação de pessoal.

Fernando Vicente lembra que este problema, não sendo novo, volta a sentir-se com mais intensidade quando a indústria de moldes tem muito trabalho. “As empresas têm vindo a crescer, as tecnologias estão sempre a evoluir e a mudar e as empresas precisam de pessoas”, diz o empresário. “Mesmo as pessoas com cursos superiores que entram nas empresas precisam de alguma formação”. Por outro lado, os colaboradores mais velhos, com muitos anos de experiência, têm vindo a reformar-se. Admitindo que em determinadas situações específicas também a empresa que gere (Somema) “recorre ao mercado”, o empresário defende que o problema da escassez de técnicos qualificados se resolve com maior aposta na formação, por parte das empresas.

A importância da formação é, aliás, referida por todos os empresários ouvidos. “Há empresas que não formam pessoas, umas porque não querem, outras porque não têm capacidade”, lembra Belmiro Teixeira. O responsável da Irmamolde diz que dar formação a uma pessoa durante um ano ou mais “tem custos” e lamenta que “quando ela está pronta vá embora”, aliciada por outra empresa que “mesmo sem conhecer o seu trabalho lhe oferece mais dinheiro”.

Nesta empresa do concelho de Leiria entraram, no ano passado, várias pessoas para aprender o trabalho de bancada. O empresário reconhece que se alguma delas fosse agora embora “seria uma chatice”. Para Belmiro Teixeira, a criação de uma escola-fábrica, onde fosse possível ministrar ensino teórico e prático, e que resultasse numa bolsa de emprego onde as empresas pudessem ir buscar colaboradores, poderia ajudar a resolver o problema. 

IN: JORNAL DE LEIRIA