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KLC: de “fábrica dos telemóveis” a fornecedora da BMW e da Bimby

Criada em: 30 novembro de, 2015

KLC: de “fábrica dos telemóveis” a fornecedora da BMW e da Bimby 

Já ouviu falar da Bimby? Sabia que algumas das peças que compõem este robot de cozinha são fabricadas na Marinha Grande? A KLC está hoje focada sobretudo na produção de componentes para a indústria automóvel, mas continua a trabalhar com alguns clientes que tem desde o início da sua actividade. Um deles é a alemã Vorwerk, fabricante da Bimby. Além das peças técnicas (para suporte de partes eléctricas ou electrónicas) que fabrica para a Bimby, a KLC fornece também componentes para os aspiradores da Vorwerk, revela Pedro Colaço.

Actualmente, a empresa da Marinha Grande trabalha sobretudo para a indústria automóvel. Entre outras marcas, fornece a BMW (peças para o série 7), VW, Seat, Alfa Romeo, Lancia e Daimler-Benz, neste caso indirectamente. Como Tier 1 (fornecedor de primeira linha), está habilitada a trabalhar com a Volkswagen. “Estamos a tentar conseguir um projecto. Não é tão fácil como possa parecer, porque na maior parte das vezes são-nos pedidos sistemas, e não apenas peças plásticas”, explica o gerente da empresa, dizen- do que para conseguir responder a este desafio é necessário estabelecer parcerias com fabricantes de sistemas electrónicos.

Embora trabalhar com a indústria automóvel tenha algumas vantagens – projectos a três/quatro anos, maiores quantidades – comporta também al-guns desafios: “é extremamente competitiva, com requisitos altíssimos”. 

Por outro lado, “exige competências e serviços que depois praticamente só ela é que paga”, o que torna difícil rentabilizar a estrutura criada trabalhando para outras áreas.

A KLC foi constituída em 1993, resultado de uma parceria entre os alemães da Keune&Lauber e Pedro Colaço. Arrancou com um funcionário e apenas fazia montagens (as peças vinham da Alemanha). Em 1997 adquiriu uma máquina de injecção e começou a produzir componentes. Desde então, tem mantido o enfoque no fabrico de peças técnicas. Até 2000 trabalhou sobretudo para o mercado dos telefones móveis. “Éramos até conhecidos na Marinha Grande como a fábrica dos telemóveis”, recorda Pedro Colaço. Motorola, Nokia, Bosch e Siemens foram algumas das marcas para as quais produziu componentes.

“Depois a bolha dos telemóveis rebentou” e a empresa virou-se para a indústria automóvel. “Tínhamos qualidade, muita flexibilidade e trabalhávamos a parte estética, porque os telemóveis exigiam tudo isto”, diz o empresário. Mas os responsáveis da empresa optaram por acrescentar ainda mais valor à sua oferta e introduziram novos processos, passando a fazer pintura e lacagem. Em 2008 apostaram noutra tecnologia inovadora, o IMD (In Mould Decoration), que passa pela introdução de uma película específica na cavidade do molde, sobre a qual é depois injectado o plástico. A qualidade cosmética e a resistência mecânica da peça são as duas grandes vantagens, explica Pedro Colaço.

A Alemanha é o principal destino dos produtos da KLC, que exporta 90% da sua produção. Espanha e Hungria são os outros mercados mais impor- tantes. A empresa está interessada em entrar em novos mercados que possam pagar as suas competências, sendo que a Europa continua a ser o destino mais natural, devido ao “nível de exigência técnica das peças e por- que se trata de artigos para os quais a questão do transporte pode ser uma condicionante”.

Nos últimos três anos a empresa da Marinha foi alvo de investimentos na ordem dos 600 mil euros, em diversos aspectos, como na injecção bi-componente, no processo de gravação de símbolos a laser, na estabilização da produção, na formação, organização e na área de suporte de engenharia. Para 2015 estão previstos investimentos que podem rondar o meio milhão de euros, especialmente nas áreas de injecção, pintura e consolidação de processos produtivos. A KLC obteve no ano passado um volume de negócios na ordem dos 11 milhões de euros. 

IN: Jornal de Leiria