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México. O 2.º mercado de Portugal na América Latina

Criada em: 4 abril de, 2016


José Miguel Gomes da Costa, presidente da CCILM (em representação da COSEC), elege, de entre um diversificado grupo de oportunidades na economia mexicana da atualidade, a área das novas tecnologias como aquela que os portugueses devem apostar.

Gomes da Costa COSEC CCILM

Atualmente, como se caracterizam, e que peso assumem, as relações comerciais entre Portugal e o México?
As trocas comerciais de bens e serviços entre Portugal e o México atingiram em 2015 cerca de 422 milhões de euros, num crescimento de 40% em relação a 2014, com um saldo líquido positivo de 38 milhões para Portugal. Este crescimento deu-se fundamentalmente no setor dos bens, devido à importação de combustíveis minerais, responsáveis por cerca de 67% do total das importações, e ao crescimento das trocas comerciais nos serviços, que atingiu cerca de 50%. As exportações de bens para o México mantiveram valores próximos dos obtidos em 2014, na ordem dos 200 milhões de euros, com o setor “Máquinas e Aparelhos” a atingir 30%, seguido por “Produtos Químicos”, “Plásticos e Borracha“ e “Matérias Têxteis”. As trocas comerciais entre Portugal e o México são historicamente muito influenciadas, em termos de volume, pela ocorrência de importações de combustíveis ou pela exportação de produtos combustíveis refinados. O México constituiu em 2015 o segundo principal mercado da América Latina, a seguir ao Brasil, para as exportações portuguesas.

Ao longo dos últimos anos, que mudanças foram ocorrendo no sentido de contribuir para aumentar o investimento português? Hoje, porque devem as empresas portuguesas investir no México?
Os planos de desenvolvimento de infraestruturas do México, que se desenvolveram desde 2008, têm merecido atenção especial por parte das empresas portuguesas, sendo hoje relevante a presença do grupo Mota Engil na área das concessões rodoviárias e recentemente na área da energia. Por outro lado, o peso da indústria automóvel no México tem também canalizado o interesse das empresas portuguesas ligadas ao setor dos moldes, injeção de plásticos e cablagens. Recentemente, e através do projeto desenvolvido em 2015 pela CCIL Mexicana e apoiado pelo QREN, o Portugal Connect, foi possível, com a adesão de 11 tecnológicas, apresentar ao mercado mexicano os últimos desenvolvimentos tecnológicos de empresas nacionais. Este ano, a Câmara tem em execução, apoiado por incentivos do Portugal 2020, um novo Plano de Internacionalização Conjunto para empresas de setores tecnológicos da indústria, estando a decorrer até 19 de março uma primeira missão na cidade do México e em Monterey, com a participação de 10 empresas nacionais. Prevemos continuar este programa em mais uma missão e em três feiras, a realizar no México, ao longo de 2016. Trata-se de um projeto com investimento de cerca de 650 mil euros e com importantes incentivos às empresas nacionais que nele participarem, estando, nesta altura, a Câmara ainda aberta a aceitar a participação de interessadas em integrar estes eventos.

Que condições e características devem reunir as empresas, sobretudo as médias, para ter sucesso no México? Como se devem preparar?
Em particular as empresas de média dimensão e com produtos tecnologicamente avançados deverão aproveitar as oportunidades que a economia mexicana lhes poderá oferecer, não só pela sua dimensão: mercado de mais de 110 milhões de habitantes e PIB acima do trilião de dólares, mas também pela plataforma que este mercado constitui para entrada nos EUA (com quem o México e o Canadá integram o bloco económico NAFTA) e em outras economias da América Latina (Peru, Colômbia, Chile, com quem o México integra o Tratado Comercial Aliança do Pacífico). O sucesso deverá passar por uma estratégia consistente de contactos e conhecimento das potencialidades deste grande mercado e pela constituição de boas parcerias com empresários locais.

Em que setores existem mais oportunidades para as empresas portuguesas? Existem novas tendências?
Tendo em atenção as reformas estruturais que o Governo mexicano tem vindo a levar a cabo, são relevantes para as empresas portuguesas os setores das infraestruturas rodoviárias e aeroportuárias, energia, componentes para a indústria automóvel aeroespacial, TI e tecnologia nas áreas da educação e saúde.

De que forma pode a CCILM apoiar as empresas que pretendem apostar no mercado mexicano?
Ao longo dos mais de 10 anos de existência da Câmara, estabelecemos importantes contactos com as autoridades governamentais mexicanas, com as associações empresariais e com um conjunto de importantes consultores locais. A Câmara também dispõe hoje de uma delegação na Cidade do México, que tem vindo a constituir um elemento de apoio não só às empresas nacionais que pretendem exportar para o México, mas também àquelas que, através de parcerias com empresas locais, ambicionam internacionalizar-se neste grande mercado da América Latina.

IN: http://www.oje.pt/